Prêmio Consulado da Mulher | Consulado da Mulher

Prêmio Consulado da Mulher

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O Prêmio Consulado da Mulher selecionará 10 grupos de mulheres que atuem na área de alimentação e que sigam os seguintes critérios:

  • Trabalho em Rede: ser coletivo ou funcionar em formato de rede (diversos indivíduos trabalhando conjuntamente).
  • Protagonismo feminino: ter lideranças femininas e ser composto por, no mínimo, 70% de mulheres.
  • Vulnerabilidade: pelo menos 70% do grupo com renda familiar per capita igual ou inferior a 1 salário mínimo mensal.
  • Sustentabilidade: mínimo de 1 ano de existência, infraestrutura própria, perspectivas de formalização e de crescimento.
  • Parceria: ser inscritos, neste prêmio, por uma entidade inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ, sem fins lucrativos e que já atue junto ao grupo.

FASE DE AVALIAÇÃO

A comissão técnica do prêmio fará a avaliação dos projetos recebidos. Os pré-aprovados receberão visita de uma pessoa indicada pelo Instituto Consulado da Mulher, para verificação técnica das informações. Esta visita não garante a aprovação do projeto.

DIVULGAÇÃO DOS VENCEDORES

Os 10 projetos aprovados serão divulgados em Julho neste site

CERIMÔNIA

Uma representante de cada projeto vencedor e uma representante de cada instituição parceria irá participar da cerimônia de premiação, com todos os custos de traslado, hospedagem e alimentação pagos pelo Consulado da Mulher.

TREINAMENTOS

Além da cerimônia de premiação, os representantes dos empreendimentos e das instituições parceiras participarão de eventos de formação, segundo a metodologia de Gestão de Empreendimentos do Instituto Consulado da Mulher.

PREMIAÇÃO

Os projetos selecionados receberão: Assessoria, por dois anos, que inclui apoio na gestão do negócio e capacitações técnicas; Eletrodomésticos Consul, para aumento da produção; 10 mil reais para investir na infraestrutura do negócio

História do Prêmio

Conheça os grupos de mulheres que já foram contemplados

‘Uniforme deixa claro que você é serviçal, dá status para a patroa no shopping’, diz ex-babá – BBC Brasil

‘Uniforme deixa claro que você é serviçal, dá status para a patroa no shopping’, diz ex-babá

  • 18 junho 2015
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Image caption O autor e cartunista Daniel Kondo (www.danielkondo.com) se inspirou na polêmica para criar a ilustração ‘A realidade em preto e branco (ou era uma vez no clube Pinheiros…)’

A decisão do Ministério Público de SP de investigar um clube de elite por exigir que babás vistam branco no estabelecimento gerou polêmica e abriu um debate nas redes sobre a exigência da roupa branca para as profissionais do ramo.

Inúmeras opiniões, contrárias e a favor, foram expressas, mas uma voz pareceu estar pouco representada: a das babás. O #SalaSocial, da BBC Brasil, quer ouvir a opinião de quem trabalha ou trabalhou como babá. A exigência do uniforme no dia a dia do trabalho é válida, como ocorre em inúmeras profissões, ou pode se transformar em instrumento de segregação?

Veja algumas das opiniões que já recebemos:

  • "Levo para o médico, passeios, balé, judô etc. Eu acredito que devemos ser identificadas pois há muito casos de sequestros, roubos e tráfico de crianças", disse uma leitora em nossa página no Facebook.
  • Para outra leitora, que também já trabalhou como babá, a exigência do clube é "jogada de marketing" para passar "ar elitizado".
  • "Se usar uniforme é por motivo de sujeira durante o dia, não seria então o caso de mães e pais usarem uniforme também? Ou avós, tios e tias?", questionou uma leitora que é babá na Inglaterra.
  • "Sou babá e quando vamos a esses clubes, na sua maioria, exigem uniformes. Há um tratamento diferenciado por parte dos funcionários e dos sócios. É como se não tivéssemos que estar ali. É puro preconceito. Já viajei para outros países e fui muito bem tratada. Não precisei usar uniforme e sempre me posicionei como quem está a trabalho naquele local."
  • "Este é um assunto muito falado entre as babás. Tem patroa que libera e outras que obrigam a usar. Para mim, usar uniforme é normal. É parte da profissão, como a empresa que exige o uso de uniforme. Pessoalmente, acho que a peça de cima sempre precisa ser branca, por questão de higiene. Se suja, você percebe logo e troca, mas com uma peça escura isso fica mais complicado. Mas a parte de baixo não acho necessário. Pode ser uma calça azul ou preta. Ou, quando vai para o litoral, acho que tem que poder usar bermuda."

Leia mais: Clube que obriga babá a usar branco é alvo de investigação do MP

Destacamos abaixo o depoimento de Silvana Félix, de 41 anos, ao #SalaSocial. Se você trabalha ou já trabalhou como babá e quiser participar do nosso debate, deixe seu comentário abaixo ou em nosso fórum no Facebook.

"Fui babá durante 23 anos, mas, graças a Deus, não sou mais. A babá é quase invisível, tem que saber se fazer de invisível. É diferente de uma cozinheira ou de uma faxineira com seus papéis bem definidos. Dos empregados domésticos, acho que a babá é a que mais fica íntima dos patrões. Você levanta no meio da noite e encontra o patrão de cueca.

Tem horas em que esta intimidade é aceita e tem horas que não é. Não sabemos muito bem qual é o nosso papel. Fiquei cansada desta vida. Você tem que se dedicar muito, só tem folga de 15 em 15 dias.

Trabalhei em cinco casas e em todas tive de usar uniforme. O trabalho de babá é complicado porque não se limita a trabalhar dentro da casa. Os patrões precisam nos levar para onde forem e precisamos estar ‘apresentáveis’. É algo cultural. A maioria dos patrões gosta de deixar claro que somos babás e não uma parente ou uma amiga.

Leia mais: OIT: Ação contra exigência de roupa branca abre olhos de quem não enxerga segregação velada

Uma vez, vi a babá do Eddie Vedder (vocalista da banda americana Pearl Jam) na praia de biquíni com a patroa. Nem sempre eu podia colocar biquíni. Tem patrão que permite e outros que não permitem, e você tem de ficar de uniforme do lado da piscina. Quando ia viajar, se o patrão dizia para levar maiô, sabia que ia poder entrar na piscina ou no mar. Se não, sabia que ia ter que ficar olhando sentada do lado de fora. Já tive que ir para a praia com o uniforme completo. Nem precisa o patrão dizer isso expressamente. Eles não falam. A babá tem que saber pegar estes detalhes.

Nos clubes, tem que ir de branco, não tem jeito, porque tem muita madame e essa exigência do uniforme. Certa vez, em um clube de elite do Rio, fui proibida de entrar porque calçava chinelos. Era um domingo e eu estava com meus patrões e seus dois filhos, um de dois anos e outro de dez. Inclusive minha patroa estava de chinelo também, e o meu nem era qualquer chinelo, era bem bonitinho até.

Minha patroa reclamou, falou que era um absurdo, disse que os sócios estavam de chinelo porque, no Rio de Janeiro, todo mundo, pobre ou rico, usa chinelo. Mas não teve jeito. Disseram que era a regra do clube. Tivemos que voltar para casa para eu calçar um tênis. Não me senti mal, só achei uma grande besteira.

O uniforme deixa claro que você é serviçal. Serviçal é serviçal. Patrão é patrão. A roupa nos marca. É a mesma coisa no shopping. As patroas gostam de desfilar no shopping com a babá. Elas estão pagando por isso e dá status. Não fica bem diante das amigas desfilar com a babá com roupa normal. Já trabalhei para patroa de 20 e poucos anos que exigia que a chamasse de dona ou senhora. Era muito estranho chamar alguém tão mais novo desta forma.

Leia mais: MP apura se outros seis clubes de São Paulo exigem que babá use branco

Eu fiz faculdade de Relações Internacionais e, uma vez, encontrei com uma amiga de uma ex-patroa na faculdade. Quando liguei para a casa dela para combinar algo relacionado a um trabalho, a empregada me chamou de dona e eu disse que não precisava disso. No dia seguinte, esta colega me deu uma super chamada, dizendo que a empregada tinha de me chamar de dona também.

Dizem que é bom usar uniforme porque deixa claro que a roupa está limpa, evidenciar o capricho da babá. Mas eu não trabalhava com bebê, mas com crianças maiores. Aí, a roupa branca é péssima porque você tem de deitar no chão, jogar bola. Isso suja muito a roupa, e você precisa trocar toda hora.

Tem preconceito? Tem. Mas é no clube, no restaurante, em tudo quanto é lugar. A tendência é se sentir diminuída. Uma vez, acompanhei a família para a qual trabalhava num almoço de batizado. Os patrões disseram para eu ir para a cozinha para arrumar meu almoço e chamei outra babá para ir comigo. Quando chegamos à cozinha, fomos escorraçadas pela dona da casa, que dizia que aquela não era a hora da gente comer, que estávamos atrapalhando.

Depois, ela levou um prato só para nós duas, com dois garfos. Foi humilhante demais. Disse que não queria comer, e ela me achou petulante. A outra babá começou a chorar. Minha patroa depois me pediu desculpas, mas a outra babá acabou sendo demitida.

Não se trata de aceitar ou não. Por exemplo, quando não falaram o nome das babás da Angélica. A gente não tem nome. Esse mundo de babá é assim. Faz parte entender que neste mundo de ricos e babás é assim. Graças a Deus sei meu lugar. Já fui para vários hotéis e, enquanto os patrões comiam, eu comia sozinha em outro lugar.

Se fosse só isso do uniforme, mas você vê muitas coisas, muitos detalhes. De pessoas que falam com a criança, mas não te dão nem oi. Já vi muitos casos de exploração. De patrões muito ricos que pagam meio salário mínimo para as meninas. Quando fui com uma família para a qual trabalhava para o Canadá, encontrei uma babá que não tinha roupas adequadas para o frio e os patrões não compraram nada para ela. Comigo aconteceu o mesmo. Os patrões disseram que iam comprar roupas de frio para mim e não fizeram isso. Mas eu reclamei e eles compraram, mesmo ficando de cara feia.

Tudo isso já me incomodou, mas me acostumei. Não somos vítimas nem quero ficar fazendo coitadismo. Eu ganhava bem. Ganhei muito dinheiro como babá. Não era uma coitadinha. Nunca questionei o uniforme porque ganhava bem. E com o dinheiro comprava meus livros, fazia minhas coisas.

Acho que no final, quando já não precisava tanto do dinheiro, eu passei a falar mais quando algo me incomodava. Aprendi a ter voz, porque sentar e chorar não vai resolver."

* Depoimento ao repórter da BBC Brasil Rafael Barifouse

A saudita negra com brevê de piloto que se tornou símbolo na luta por direitos civis – Geledés

A saudita negra com brevê de piloto que se tornou símbolo na luta por direitos civis

Publicado há 15 horas – em 18 de janeiro de 2016 » Atualizado às 19:01
Categoria » Mulher Negra

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Nawal Al-Hawsawi fala o que pensa, é negra, tem brevê de piloto e é casada com um homem branco – tudo o que seus críticos dizem que uma mulher saudita não deve ser.

Do BBC

Mas apesar de ser vítima de ondas de abusos nas redes sociais, ela se recusa a ceder às convenções e diz que vai responder a seus detratores “com amor”.

Com quase 50 mil seguidores no Twitter, rede social na qual escreve sobre a importância da diversidade racial e da igualdade no casamento, Al-Hawsawi se tornou uma espécie de estrela da internet do país. Mas nem todos os que a seguem são seus fãs.

No último mês de dezembro, ela sofreu uma enxurrada de ofensas racistas no que seria apenas o início de uma longa campanha dos chamados trolls ─ grupos articulados na internet que querem chamar a atenção para si, geralmente realizando ataques a alguma personalidade nas redes sociais.

Há alguns anos, Al-Hawsawi recebe deles fotos de gorilas e imagens de pessoas de tribos africanas alteradas no Photoshop. Eles também se referem à ela com um termo pejorativo para negros em árabe, que significa “escravo”.

Enfrentando o preconceito

Por ter nascido em Meca, uma das regiões mais cosmopolitas da Arábia Saudita, Al-Hawsawi diz que não havia pensado em si mesma como “negra” até ir morar nos Estados Unidos.

Lá começou o despertar de sua identidade racial, e foi também naquele país onde ela aprendeu a voar e tornou-se piloto certificada, apesar de ser proibida de exercer a atividade em sua terra natal.

Ainda nos Estados Unidos, ela estudou para se tornar terapeuta de casais, sua profissão atual. Al-Hawsawi também se casou com um americano e os dois voltaram para a Arábia Saudita há poucos anos.

Foi aí que o problema começou.

Em um evento celebrando o dia nacional da Arábia Saudita em 2013, ela foi agredida verbalmente por uma mulher, que a chamou de “escrava”, usando o termo pejorativo. Racismo é crime no país e ela levou o caso aos tribunais.

Mas após uma conversa com a mulher que a ofendeu, ela ouviu desculpas e retirou as acusações. Agora, afirma que as duas são amigas.

O caso chamou a atenção da mídia do país, e Al-Hawsawi apareceu na televisão para falar sobre o que aconteceu.

A imprensa a chamou de “Rosa Parks da Arábia Saudita” ─ uma referência à icônica ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos, que, em 1955, recusou-se a ceder seu assento no ônibus a um homem branco.

Al-Hawsawi decidiu usar a plataforma que a fama lhe deu para criar uma campanha antirracismo no Twitter, usando o mesmo insulto que ouviu para conscientizar as pessoas sobre o problema.

Campanha de ódio

Mas a história não acaba aqui. Por causa da atenção que recebeu, sua conta de Twitter ─ que ela usa para escrever mensagens contra o racismo e a violência doméstica ─ virou foco de trolls, que deram início a uma campanha de ódio contra ela.

Agora, sua cor de pele, seu gênero e seu casamento interracial são alvos desses grupos, que ela acredita serem formados principalmente por pessoas de extrema direita.

“Eles não gostavam dos meus tuítes sobre casamento, igualdade e unidade”, disse ela ao BBC Trending, programa da BBC sobre assuntos comentados nas redes sociais em todo o mundo.

“Eles começaram uma campanha em que publicavam uma foto do meu marido e dos nossos filhos e pediam que outros retuitassem. Foi chocante.”

A terapeuta diz saber claramente o motivo de ter se tornado alvo. “Eu represento tudo o que eles odeiam, tudo aquilo ao que eles se opõem”, diz.

“Sou uma mulher saudita que se casou com um estrangeiro. Eles são antiamericanos. Meu marido é branco, eu sou negra. Eles condenam casamentos interraciais. Eles dizem que mulheres não podem trabalhar, então ver uma mulher que não sabe apenas dirigir, mas também pilotar aviões é inaceitável. Eles não gostam do fato de que minha mensagem ressoa em muitos dos meus seguidores”, explica.

Al-Hawsawi encaminhou várias mensagens abusivas que recebeu ao Ministério do Interior do país e diz que o assunto está sendo tratado com seriedade.

No entanto, tentativas de localizar os agressores ─ que, de modo geral, escrevem anonimamente ─ está demorando.

Enquanto isso, ela diz ter paciência para enfrentá-los.

“Eu aprendi muito com Mandela, Martin Luther King Jr. e Gandhi”, diz.

“Não se combate ódio com ódio. Você acende uma vela e mantém o pensamento positivo. Isso só te fortalece”, acrescenta.

Tags: Mulher Negra · Nawal Al-Hawsawi

Curso “Feminismo e Filosofia” da UnB resgata pensadoras esquecidas pela academia

Christine de Pizan, Angela Yvonne Davis e Lélia Gonzalez. Essas são algumas das filósofas que, apesar de desconhecidas por grande parte dos estudiosos da área, ganham protagonismo no curso “Filosofia e Feminismo”, disciplina ministrada pela Universidade de Brasília (UnB) durante o curso de verão.

Mais do que parte de um movimento de valorização das mulheres, que vêm ganhando força em todo o mundo, a disciplina questiona o tipo de conhecimento teórico que é construído nos dias de hoje. “Trazer o conhecimento dessas autoras, que produziram excelentes textos desde a antiguidade, é um acerto de contas não só para as mulheres, mas também uma maneira de repensar a filosofia como a conhecemos”, explica a professora da disciplina Ana Míriam Wuensch (foto).

A UnB se tornou pioneira no país ao buscar o pensamento feminista do ponto de vista da filosofia. “Podemos encontrar, em outras universidades, disciplinas que abordam o assunto a partir de estudos sociais, mas na filosofia isso é bastante raro”, diz Wanderson do Nascimento, professor que ministrou a primeira edição do curso, no segundo semestre do ano passado.

Atualmente, a disciplina — aprovada em colegiado da UnB — é optativa para alunos de licenciatura em Filosofia e é aberta para estudantes de outras modalidades. Antes, a temática já havia sido abordada em sala de aula sob outros títulos, como “Tópicos Especiais de Filosofia”, “Antropologia Filosófica” e “Seminário especial de Filosofia”, todos ministrados entre 2003 e 2004.

Estudantes do sexo masculino e feminino dividem a turma quase que em igualdade Rafaela Felicciano/Metrópoles

Diversidade

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensam, “Filosofia e Feminismo” não é um curso voltado para mulheres. Cerca de metade dos alunos que participam das aulas são homens. “Os textos dessas filósofas apresentam uma perspectiva completamente diferente da história que temos hoje. Os pensamentos escritos por elas têm poder de desconstruir o que entendemos atualmente como o cânone da literatura especializada”, afirma o estudante em filosofia João Amorim.

Alguns alunos aproveitaram a disciplina também para ir além da oposição feminino-masculino. “Trazer autoras que antes estavam nas sombras mostra que, muitas vezes, a sociedade não é feita para qualquer pessoa que não se enquadre num papel social específico. Os transsexuais são um bom exemplo dessa problemática”, explica a estudante em Serviço Social Lucci Laporta. “Trazer esse debate para a sala de aula é fazer valer aquele que deveria ser o principal objetivo de uma universidade: ser a vanguarda do conhecimento”.

Convidados

Além da aula expositiva, em que a professora traz informações aos alunos, a disciplina conta com outros atrativos. Um deles é a apresentação de pesquisadores da cidade que trabalharam o assunto. Uma delas é Aline Matos, que elaborou a monografia “Pensar o invisível: as mulheres negras como produtoras de pensamento filosófico”, trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Filosofia na UnB.

Para concluir o curso de licenciatura em Filosofia, Aline Matos realizou uma pesquisa sobre as mulheres negras que produziram material filosófico Rafaela Felicciano/Metrópoles

Cada vez mais encontramos pesquisadores atrás de pessoas que apresentem uma nova forma de ver o mundo. E as pensadoras, que tiveram pouca representatividade em estudos acadêmicos, se tornaram potenciais objetos de pesquisa"Aline Matos

Além disso, parte da avaliação consiste em formar grupos cujo objetivo é debater temas que dizem respeito à disciplina (como, por exemplo, as novas masculinidades) ou analisar a fundo a obra de uma filósofa específica. “Essa troca de conhecimento é muito importante para que a gente possa ampliar a nossa pesquisa sobre o assunto. Nossos alunos têm muito o que acrescentar à aula também”, diz Ana Míriam.

Graças a essa abertura, é possível perceber como a turma se envolve no assunto. Em certo momento da aula, uma aluna levantou a mão e fez a seguinte pergunta: “Como pensar em opressão à mulher se não pensarmos na opressão que o homem sente ao vivenciar experiências vistas pela sociedade como femininas?”. Daí outras três pessoas pediram a palavra para contestar (ou concordar com) o que a colega disse, umas mais calorosas que os outros. Todos na ânsia de debater o assunto que tão pouco é conversado em outras salas de aula.

Conheça cinco filósofas que merecem ser estudadas:

  • Christine de Pizan (1363-1430)

Conhecida como uma das precursoras do feminismo, a veneziana Cristina é vista como a primeira europeia a viver unicamente do trabalho escrito. Publicou “A Cidade das Damas” em que prospecta o relacionamento entre homem e mulher não-hierárquico. Além disso, tornou-se uma ferrenha guerreira contra o amor cortês, o uso de palavras chulas para descrever o sexo feminino e também denunciou a misoginia que existia à época. Para ela, desvalorizar a mulher era sinal de profunda ingratidão do homem.

  • Hannah Arendt (1906-1975)

Criadora do pensamento que envolve a “banalidade do mal”, a alemã Hannah Arendt se tornou célebre após a publicação de suas conclusões filosóficas sobre o julgamento de nazistas envolvidos no extermínio de judeus durante a II Guerra Mundial. Para ela, por mais contraditório que pareça, somente a vigilância poderia preservar o ser humano e a liberdade dos indivíduos. Isso ocorre porque a filósofa acreditava que o homem não pode ser definido como bom ou mau, mas sim um meio termo entre os dois opostos.

  • Simone de Beauvoir (1908-1986)

Os pensamentos da filósofa francesa Simone de Beauvoir foram transformados em polêmica após ter um trecho do livro “Segundo Sexo” citado na prova do Enem de 2015. Uma das principais integrantes da filosofia existencialista europeia, marcou presença ao situar o entendimento sobre “ser mulher dentro da sociedade” no centro de sua obra. Tinha como parceiro com o também existencialista Jean-Paul Sartre, fez do relacionamento um tanto quanto incomum (eles tinham parceiros fora do casamento e conversavam sobre eles abertamente um com o outro) tema para diversos livros filosóficos.

  • Lélia Gonzalez (1935-1994)

Para além de seus estudos sobre gênero, a autora mineira buscou uma releitura da história sobre a escravidão no Brasil. Além disso, reforçou o papel dos quilombos e das insurreições que ocorriam contra os senhores brancos e trouxe a imagem de um negro que não se conformou com a escravidão. Também estudou a história do país sob a ótica da mulher negra, até então sem qualquer representatividade nacional.

  • Séverine Kodjo-Grandvaux

Nascida em Costa do Marfim, a doutora em filosofia foi responsável por analisar os caminhos da filosofia moderna africana. A partir de seus estudos, dividiu o cânone de seu continente em quatro grupos: etnofilosofia, sagacidade filosófica, filosofia ideológica-nacionalista e filosofia profissional. Daí, ela se distancia de um pensamento africano formado unicamente pelas colônias europeias.

“O Brasil está no momento em que a Jessica caiu na piscina e a dona Bárbara está lá berrando” « Sul21

22/jan./2016, 21h43min

“O Brasil está no momento em que a Jessica caiu na piscina e a dona Bárbara está lá berrando”

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Cine debate do filme “Que horas ela volta?” teve presença da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, da diretora do filme, Anna Muylaert, da presidenta da UNE, Carina Vitral e da ccordenadora nacional do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Xica da Silva. (Foto: Mariana Carlesso/Sul21)

Marco Weissheimer

Por vezes, alguns filmes têm a virtude de capturar um momento, um sentimento, uma atmosfera de um período histórico de uma sociedade ou de um país. O filme “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert, é um exemplar dessa espécie seleta, conforme ficou mais uma vez demonstrado no Fórum Social Temático de Porto Alegre. Filas se formaram desde às 13 horas desta sexta na Casa de Cultura Mário Quintana para garantir um lugar na exibição-debate programada para o Teatro Bruno Kiefer. Após a exibição do filme, um debate reuniu Anna Muylaert, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, e a coordenadora nacional do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Xica da Silva.

“O Brasil está no momento em que a Jessica caiu na piscina e a dona Bárbara esta lá berrando: sai daí! sai daí! Mas acho que não tem mais volta. Uma vez que se adquire consciência de algo, não é possível retornar. Não se trata de dinheiro, mas sim de consciência. Esse filme fala de pequenas coisas que, por sua vez, falam de grandes coisas. E o Brasil ainda tem muitas coisas do passado que precisam ser atualizadas”. A fala da diretora Anna Muylaert sobre o sentido de “Que horas ela volta?” resume bem a poderosa conexão que as pequenas e as grandes coisas têm no filme. Um pote de sorvete, uma piscina, um jogo de xícaras, um suco de lima da pérsia: pequenas coisas como estas compõem uma narrativa que falam do Brasil da desigualdade social, do racismo, do machismo e da segregação.

Promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome, a exibição do filme, seguida de debate, lotou completamente o Teatro Bruno Kiefer, dentro da programação do Fórum Social Temático Porto Alegre. O público, formado majoritariamente por jovens, muitos deles universitários, ilustrou uma das ideias centrais do filme: há um país novo nascendo que convive ainda com muitas sombras e monstros cuja origem remonta a um Brasil arcaico, mas que resiste em desaparecer. Esse público também foi representativo de uma das personagens centrais do filme, Jessica, filha de Val, empregada da família de Bárbara. “O Brasil está mudando mesmo para melhor e o número de Jessicas só vai aumentar. Acredito que essa é a única porta possível de transformação para o Brasil: a educação e o direito à cidadania”, disse Muylaert.

Anna Muylaert: “A ideia de uma elite privilegiada e de uma maioria desprivilegiada não é nada chique e nunca será. O Brasil sempre será um país atrasado enquanto durar essa mentalidade”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“Que horas ela volta?” foi lançado na Europa e despertou reações de ceticismo em relação a algumas cenas, relatou a diretora. “Mas isso existe mesmo? A pessoa fica sentada e pede ‘me dá um copo d’água’? Isso é da época do meu tataravô”. Anna Muylaert respondia que isso ainda existe, sim, e que o Brasil está precisando atualizar essas regras de comportamento de séculos atrás. “O país está atravessando uma fase de transição. Expliquei a eles que tivemos há alguns anos a eleição do primeiro presidente oriundo das classes de baixa renda, que foi o primeiro a olhar para essa questão e conseguiu produzir uma guinada histórica no navio, que ainda é muito pequena perto do que precisamos fazer, mas que deixou sementes para um novo Brasil e para uma ideia de nação. Nós vivemos muitos anos sem que o Brasil pudesse ser chamado de nação na medida em que ele não protegia os seus próprios filhos. A ideia de uma elite privilegiada e de uma maioria desprivilegiada não é nada chique e nunca será. O Brasil sempre será um país atrasado enquanto durar essa mentalidade”, assinalou.

Anna Muylaert explicou que procurou não fazer julgamentos individuais no filme, mas sim mostrar o esquema geral de um jogo social. “Eu procurei não julgar, nem mesmo os patrões. É verdade que, em determinados momentos, dona Bárbara tem certas atitudes que são difíceis de não julgar. Doutor Carlos é um cara liberal, pode até ser alguém de esquerda. Mas essa cultura separatista é muito profunda. Como a Jéssica pergunta para a Val: em que livro você leu isso? A gente toma essas regras na mamadeira, tendo nascido na cozinha ou na sala. O filme tentou tirar essas regras de baixo do tapete e colocá-las em cima da mesa para que todo mundo pudesse olhar e ver se essas regras ainda estão valendo tanto para um lado como para outro”.

Tereza Campello: “Filme mostra a transição difícil que a sociedade brasileira vive, com a presença de um stress entre o que já mudou e o que ainda não mudou, entre a noite e o amanhecer”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A ministra Tereza Campello disse que a decisão de exibir o filme e convidar a diretora Anna Muylaert para um debate nasceu de uma avaliação de que esta atividade seria uma oportunidade para discutir o que é mesmo o Fórum Social Mundial. “Eu tive a alegria de ajudar a construir a primeira edição do Fórum, há 15 anos, e olhar esse filme é, de certa forma, dizer: sim, é possível construir outro mundo. Ele mostra a transição difícil que a sociedade brasileira vive, com a presença de um stress entre o que já mudou e o que ainda não mudou, entre a noite e o amanhecer. É nesta hora do lusco-fusco que os monstros todos aparecem. Os monstros da nossa sociedade vieram à tona e o filme mostra esse momento de stress, de ruptura e da dificuldade do novo nascer, ainda convivendo com tantas coisas velhas. A Jessica é este novo. A gente acaba chorando não só porque o filme é lindo, mas porque ele cavoca um monte de coisas lá dentro da gente”.

Na avaliação da ministra, o Brasil vive hoje uma disputa, onde os que eram privilegiados olham a chegada da população de baixa renda como uma ameaça aos seus privilégios. “A disputa por uma vaga na universidade representa essa disputa que a sociedade vive hoje”, assinalou. “Essa é quinta vez que vejo o filme. Para mim, o que é mais revelador está relacionado às duas mulheres nordestinas, que vieram para o sul deixando seus filhos com parentes, para cumprir trajetórias completamente diferentes. Uma naquela condição de retirante e a menina Jessica vindo para se colocar fora do lugar. O que desestrutura e incomoda a família é que ela está fora da ordem e chega para quebrar aquela ordem que existia. O que eu acho mais importante no filme é que a Jessica não é uma história única e diferente. Certamente nós temos um monte de Jessicas aqui. Todos os dias a gente vê jovens do Bolsa Família, filhos de mulheres do Bolsa Família, jovens de baixa renda que chegaram à universidade. Nós não temos apenas centenas de Jessicas, temos Jessicas passando em primeiro lugar para Medicina, como aconteceu agora no Ceará. Creio que isso é o mais forte hoje no processo de transformação que está em curso no Brasil”.

Carina Vitral: “Há muito tempo que o movimento estudantil tem consciência que a universidade é um espaço estratégico e que o povo precisa estar dentro dela”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A presidenta da União Nacional de Estudantes (UNE), Carina Vitral, destacou que o filme tem um significado histórico para o movimento estudantil brasileiro que luta, há décadas pela democratização da universidade. “A UNE está completando 80 anos este ano e, desde que ela foi fundada, a principal pauta do movimento estudantil sempre foi a democratização da universidade. A universidade é um instrumento de poder ideológico muito forte. Há muito tempo que o movimento estudantil tem consciência que a universidade é um espaço estratégico e que o povo precisa estar dentro dela”. E, às veze, conforme lembrou Anna Muylaert, a universidade é mais inacessível do que a piscina da casa da família onde Val trabalha.

“Que horas ela volta?”, disse ainda a presidente da UNE, é um alento para todos os que lutam. “O filme mostra que a nossa luta está transformando o Brasil. Essa mudança está apenas começando, mas estamos conseguindo mudar a nossa realidade e isso é mostrado no filme com muita doçura, beleza e bom humor. Na minha visão, ele mostra também esses dois Brasis que ainda convivem e que tem uma marca geracional muito forte. Há o Brasil de ontem, representado pela Val, que é um país de muita exclusão social e desigualdade, e o Brasil da Jéssica, que é um novo país representado por uma jovem mulher nordestina de cabeça erguida. Esse novo Brasil é representado pela fala da Jessica que diz: eu não me considero melhor do que ninguém, mas também não me considero pior do que ninguém”.

Xica da Silva: “O filme coloca o bode na sala e cutuca todo mundo. Ele incomoda, mas é um incomodamento bom”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Mediadora do debate, Xica da Silva, coordenadora nacional do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, ficou emocionada com a cena na qual Val presenteia a patroa com um jogo de xícaras e com o desprezo como Bárbara tratou o presente. “A minha patroa fez aniversário e eu dei de presente a ela um jogo de copos lindo. Paguei um dinheirão na época. Ela disse que iríamos guardar os copos para um dia especial. Mas eles acabaram sendo usados pelas empregadas da casa mesmo. Eu olhava para aqueles copos com tanta tristeza. Eles não usavam os copos nem para tomar água na cozinha. Eu me emocionei muito porque a minha vinda aqui não estava nada planejada, foi de última hora”.

Xica da Silva começou a trabalhar como babá aos 12 anos de idade, sofreu assédio sexual do patrão, foi vítima de violência doméstica e cárcere privado por parte de seu ex-companheiro, mas deu a volta por cima, separou-se e hoje é chefe de cozinha formado pelo Serviço Nacional do Comércio (Senac). Para ela, o filme coloca o bode na sala e cutuca todo mundo. “Ele incomoda, mas é um incomodamento bom. Eu mudei a minha maneira de pensar depois que eu vi o filme. E, a cada vez que vejo de novo, descubro uma nova abordagem, uma nova reflexão. É um filme que provoca reflexões de vários ângulos e para o bem. Para mim, de ensino fundamental incompleto, formada na faculdade da vida, é um filme que mostra como as coisas são e a realidade que está caminhando para o futuro”.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Tags: Anna Muylaert, Bolsa Família, Carina Vitral, Cinema, Desigualdade social, Jessica, MDS, preconceito, Que Horas Ela Volta?, Tereza Campello, UNE, universidade, Val, Xica da Silva

#MinhaPrimeiraTransfobia: transexuais relatam primeiro caso de preconceito – Geledés

#MinhaPrimeiraTransfobia: transexuais relatam primeiro caso de preconceito

Publicado há 1 semana – em 7 de janeiro de 2016 » Atualizado às 11:42
Categoria » LGBTI

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Internautas relatam os acontecimentos e recebem o apoio de internautas nas redes sociais

Dia Nacional da Visibilidade Trans incentiva vítimas a postarem relatos nas redes sociais

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Inspirado na campanha feminista #MeuPrimeiroAssédio, que denunciou casos de abusos sexuais e discriminação durante a infância, travestis e transexuais relatam casos de preconceito e abusos desde o reconhecimento da identidade de gênero.

Com a hashtag #MinhaPrimeiraTransfobia, internautas relatam os acontecimentos e recebem apoio nas redes sociais.

“Sai chorando do banco pelo constrangimento e me sentindo um animal de circo”, diz Amanda Guimarães ao relatar caso numa agência bancária. “Não somos animais, não estamos em exposição para servir de chacota de gente sem escrúpulos. Chega de transfobia”, completa.

Já Rose Annie conta quando sofreu agressão física, ainda na infância. “Devia ter uns 7 ou 8 anos, minha mãe me flagrou de calcinha…apanhei ate perder a consciencia”, relata.

Os depoimentos marcam as atividades do Dia Nacional da Visibilidade Trans, que acontece em 29 de janeiro.

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